As exportações brasileiras para os Estados Unidos enfrentam um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos. Dados divulgados pela Amcham Brasil mostram que as vendas do Brasil ao mercado norte-americano somaram US$ 10,9 bilhões entre janeiro e abril de 2026, queda de 16,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado representa o menor valor exportado para os EUA desde 2023.
A retração afeta diretamente importantes segmentos do agronegócio brasileiro, especialmente café, petróleo, suco de laranja, celulose e produtos siderúrgicos, em um cenário marcado por menor demanda americana, problemas de safra e aumento das barreiras comerciais.
Exportações caem pelo nono mês consecutivo
Somente em abril, as exportações brasileiras para os EUA totalizaram US$ 3,1 bilhões, com queda de 11,5% na comparação anual. Foi o nono mês consecutivo de retração nas vendas externas para o mercado americano.
Os principais responsáveis pela queda foram os embarques de petróleo bruto e café não torrado. As exportações de petróleo recuaram 45,6%, enquanto o café registrou queda de 46,1% em abril.
O suco de laranja também apresentou forte retração, com queda de 63,1% nas vendas mensais aos Estados Unidos.
Segundo o relatório, os produtos isentos de sobretaxas lideraram as perdas no mês, com retração de 25,2%, enquanto os produtos sujeitos a sobretaxas de 10% recuaram 7,6%.
Agronegócio perde espaço no mercado americano
Entre os principais produtos exportados pelo Brasil aos EUA no acumulado do ano, diversos itens ligados ao agronegócio apresentaram desempenho pior que o restante do mercado internacional.
As exportações de café não torrado caíram 37,7% entre janeiro e abril, enquanto os embarques de sucos de frutas despencaram 51,8%.
O petróleo bruto também sofreu forte retração, com queda de 44,1% nas exportações para os Estados Unidos no acumulado do ano.
Por outro lado, alguns segmentos conseguiram crescer mesmo em meio ao ambiente adverso. A carne bovina brasileira avançou 36,8% nas vendas aos EUA no primeiro quadrimestre, consolidando espaço no mercado americano.
Sobretaxas americanas seguem pressionando comércio
O relatório da Amcham destaca que as sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos continuam afetando o desempenho das exportações brasileiras, especialmente em produtos industriais e metalúrgicos.
Os produtos sujeitos à Seção 232 — mecanismo utilizado pelos EUA para aplicar tarifas sobre aço, alumínio e outros itens — registraram queda de 6,9% no acumulado do ano.
Entre os segmentos mais impactados estão cobre, caminhões e madeira. As exportações brasileiras de cobre para os EUA caíram quase 49% entre janeiro e abril.
Mesmo com parte das sobretaxas revisadas após decisão da Suprema Corte americana, o ambiente comercial segue desafiador para exportadores brasileiros.
Déficit comercial do Brasil com EUA aumenta 35%
A combinação entre queda nas exportações e redução menor das importações ampliou o déficit comercial brasileiro com os Estados Unidos.
No acumulado do primeiro quadrimestre de 2026, o saldo negativo do Brasil na relação bilateral chegou a US$ 1,3 bilhão, aumento de 35% frente ao mesmo período do ano passado.
As importações brasileiras originárias dos EUA também recuaram, somando US$ 12,2 bilhões entre janeiro e abril, queda de 13%.
China amplia liderança como principal destino das exportações brasileiras
Enquanto as vendas aos Estados Unidos recuam, a China amplia sua relevância no comércio exterior brasileiro.
Entre janeiro e abril, os embarques brasileiros para o mercado chinês cresceram 25,4%, alcançando US$ 35,6 bilhões.
Os EUA seguem como o segundo principal destino das exportações brasileiras, mas com desempenho muito inferior ao registrado em outros mercados estratégicos.
Cenário exige atenção do agronegócio exportador
O atual cenário reforça os desafios enfrentados pelo agronegócio brasileiro no comércio internacional em 2026. A combinação entre desaceleração da demanda americana, problemas climáticos, oscilações de preços e aumento das barreiras comerciais pressiona setores importantes da pauta exportadora nacional.
Especialistas avaliam que a diversificação de mercados e o fortalecimento das relações comerciais com Ásia e Oriente Médio devem ganhar ainda mais relevância nos próximos meses, diante do ambiente mais restritivo nas exportações para os Estados Unidos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio








